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Trainspotting - Sem limites

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Trainspotting, Reino Unido, 1996

Drama, 94min


Filme dirigido por Danny Boyle, com Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd, Robert Carlyle, Kelly McDonald, James Cosmo e Eileen Nicholas


Sinopse: Cinco amigos do subúrbio de Edimburgo afundam-se na heroína ou no crime para escapar do tédio e da frustração. Enquanto enfrenta tragédias, reabilitações e recaídas, Mark Renton (McGregor), um dos componentes do grupo, tenta mudar de vida.


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Por que ver?

O filme que revelou ao mundo os talentos de Boyle e McGregor, "Trainspotting" é um retrato sem concessões do submundo do vício. Antes dele, somente "Eu, Christiane F. - 13 Anos Drogada e Prostituída" (1981), adaptação do best seller homônimo, havia alcançado tal grau de crueza.


Apesar da ironia e do senso de humor ácido da obra, "Trainspotting" é um filme difícil, que não poupa o espectador. Com pouco mais de 30 minutos de tela, testemunhamos, em detalhes desconcertantes, uma tragédia que inevitavelmente ocorreria num apartamento repleto de pessoas se drogado ininterruptamente.


Durante a cena, as personagens reúnem-se, devastadas, em volta de um pequeno cadáver. Ainda assim, o roteiro não faz concessões: instado a se manifestar com uma palavra de conforto, Renton abaixa os olhos e se limita a dizer "Vou preparar mais uma dose", denotando o desencanto e a alienação de todo o grupo, característicos, aliás, do tom adotado pelo longa.


Boyle se vale de metáforas visuais bastante criativas e impactantes, especialmente nos momentos em que Renton experimenta os efeitos decorrentes do vício: o uso da droga, a overdose e a crise de abstinência.


A esse respeito, a cena mais icônica do longa é a que se passa no "banheiro mais sujo da Escócia", na qual, após perder dois supositórios de ópio, Renton literalmente "mergulha" num vaso sanitário imundo para recuperá-los. Merece destaque também a sequência da overdose do protagonista, embalada ao som da melancólica "Perfect Day", de Lou Reed.


A direção de Boyle é frenética e traduz, com fidelidade, o espírito do aclamado livro de Irvine Welsh em que o longa se baseou. O próprio Welsh, aliás, fez uma ponta no filme, interpretando o traficante pé-de-chinelo Mikey Forrester.


"Transpotting" é um feliz exemplo de elenco, trilha sonora e roteiro impecáveis. O argumento, assinado por John Hodge, inclusive, ganhou um Oscar de melhor roteiro adaptado.


Ao que prestar atenção? Ao incônico monólogo "Choose Life" ("Ecolha Viver") de Renton e à inventividade visual do longa nas sequências relacionadas ao vício em heroína, especialmente nas já citadas cenas do banheiro e da overdose.


Onde encontrar? Diamond Filmes, DVD e Blu Ray


Curiosidade: O nome do filme (e do livro que o originou) vem da expressão britânica usada para o passatempo de observar trens. A metáfora compara o vício e a falta de rumo das personagens a essa atividade, que consiste em perder tempo fazendo algo repetitivo e sem sentido.

 
 
 

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